Se você é fã de anime, com certeza já passou por isso: terminou uma temporada incrível, cheia de reviravoltas e personagens cativantes, e ficou esperando ansiosamente pela continuação… que nunca veio. Infelizmente, isso acontece com mais frequência do que gostaríamos. Mas por que alguns animes nunca ganham uma segunda temporada, mesmo com tantos fãs clamando por mais?
Neste artigo, vamos explorar os principais motivos que fazem muitos animes serem “abandonados” após a primeira temporada — e o que isso nos diz sobre a indústria de animação japonesa.
1. A Indústria de Animes é, Antes de Tudo, um Negócio
O principal motivo por trás da ausência de uma segunda temporada é simples: falta de lucro. Embora os animes possam parecer uma expressão artística e cultural, eles são produzidos por empresas que visam retorno financeiro. Se a primeira temporada não gerou receita suficiente — seja em vendas de Blu-rays, streaming, merchandising ou aumento de vendas do material original (como mangás ou light novels) — os estúdios dificilmente arriscarão investir em uma continuação.
Exemplos:
No Game No Life teve grande popularidade, mas as vendas físicas não atingiram o esperado.
Deadman Wonderland também fez sucesso entre os fãs, mas suas vendas foram fracas no Japão.
2. Anime Como Publicidade: A Função do “Anime-Vitrine”
Muitos animes são criados como forma de promover o material original, como mangás, light novels ou jogos. A primeira temporada funciona como uma “vitrine” para atrair leitores ou jogadores.
Se esse objetivo for atingido — ou não for —, o estúdio pode considerar a missão cumprida, mesmo sem continuar a história em anime. É por isso que vemos tantos animes com finais abertos ou que cobrem apenas os primeiros volumes do mangá.
Exemplo:
The World God Only Knows foi adaptado para promover o mangá, mas sua terceira temporada só saiu porque as vendas do mangá subiram após o anime.
3. Problemas com Direitos Autorais ou Contratos
Às vezes, o motivo não está na falta de sucesso, mas em questões legais e contratuais. Direitos de adaptação podem pertencer a diferentes empresas, e nem sempre há consenso sobre uma nova produção. Além disso, o estúdio original pode não estar mais disponível, ou os envolvidos na produção podem ter seguido para outros projetos.
Exemplo:
Highschool of the Dead teve o mangá interrompido com a morte do autor, e os direitos ficaram em um limbo legal que impediu uma continuação do anime.
4. Falta de Conteúdo Fonte Disponível
Outro fator comum é a falta de material original suficiente para adaptar. Muitos animes são lançados antes mesmo do mangá ou light novel ter material avançado. Isso pode fazer com que o anime alcance o ponto atual da obra, e o estúdio precisa esperar anos por conteúdo novo.
Infelizmente, quando esse tempo passa, a “onda” de hype já pode ter desaparecido — e o anime perde relevância.
Exemplo:
Made in Abyss teve que esperar anos entre temporadas justamente porque o mangá ainda estava em progresso.
5. Mudanças de Tendência no Mercado
O mercado de animes é altamente volátil. Um gênero que estava em alta em um ano pode cair no gosto do público no ano seguinte. Se um anime fez sucesso em uma época em que o gênero estava em alta, mas esse estilo “saiu de moda”, pode não haver incentivo comercial para investir em uma segunda temporada.
Por exemplo, o boom de isekais nos anos 2010 trouxe dezenas de animes do gênero. Hoje, muitos deles caíram no esquecimento, e apenas os mais populares continuam.
6. Estúdios Pequenos e Limitações de Produção
Alguns animes são produzidos por estúdios pequenos ou independentes que têm orçamentos limitados. Mesmo com sucesso, pode ser difícil reunir os recursos para uma nova temporada, especialmente se os animadores e diretores envolvidos já estiverem comprometidos com outros projetos.
Exemplo:
Erased teve ótima recepção, mas seu estúdio, A-1 Pictures, é constantemente envolvido em múltiplas produções ao mesmo tempo, dificultando uma sequência imediata.
Conclusão: A Realidade é Mais Complexa do Que Parece
É natural ficar frustrado ao ver uma história incompleta ou um final aberto sem perspectiva de continuação. No entanto, entender os bastidores da indústria de anime ajuda a compreender por que isso acontece com tanta frequência.
A decisão de continuar (ou não) um anime vai muito além do gosto do público. Envolve uma combinação de lucro, marketing, logística, contratos e tendências de mercado.
A boa notícia é que, mesmo quando o anime não ganha segunda temporada, muitas vezes é possível continuar a história por outros meios — seja lendo o mangá, a light novel ou até jogando a visual novel original. É uma forma de prestigiar a obra e, quem sabe, ajudar a reacender o interesse por uma continuação.
E você?
Qual anime você mais gostaria que ganhasse uma segunda temporada? Deixe seu comentário e compartilhe esse artigo com seus amigos que também sofrem esperando continuações que nunca vêm!